Sem drama no balanço da época JEAN-PAUL LARES / RAFAEL TOUCEDO
Os números são claros e não mentem: a primeira volta chegou ao fim, com metade da Liga ZON Sagres para trás, o Sporting não vai além do quarto lugar e já olha de muito longe para os principais rivais, Benfica e FC Porto; os encarnados, na liderança, estão a 11 pontos de distância, enquanto os dragões, que ocupam o segundo posto, beneficiam de uma vantagem de nove. Mais: depois de um enorme esforço financeiro da nova Direcção e da contratação de um novo treinador, Domingos Paciência, o balanço cru do desempenho verde e branco esbarra num dado incontornável: os 28 pontos amealhados até aqui são exactamente os mesmos que Paulo Sérgio conseguiu, em período idêntico, na época passada, que foi, a todos os títulos, desastrosa.
Em Alvalade evita-se o ostensivo atirar da toalha ao chão, mas foi notório como, após a derrota em Braga, o discurso dos responsáveis leoninos mudou no que à luta pelo primeiro lugar diz respeito. Ainda assim, auscultando alguns sportinguistas ilustres, provenientes de diversos sectores, a margem de tolerância para com o grupo de trabalho parece ser ainda suficientemente grande para a manutenção do apoio notável que as bancadas de Alvalade têm dedicado à sua equipa.
Para a generalidade dos inquiridos, a chegada de tantos novos elementos é algo difícil de gerir para o treinador, que também se viu prejudicado pelos problemas físicos de atletas que deveriam desempenhar um papel fundamental na equipa, casos de Jeffrén, Izmailov, Rodriguez, Rinaudo e, mais recentemente, Ricky van Wolfswinkel.
"Vamos dar tempo ao tempo", como diz Subtil de Sousa, que vê o trabalho de Domingos como
"meritório, mesmo se os resultados não estão a corresponder", ou o treinador "tem trabalho positivo, já que a equipa está a corresponder e a jogar bem", como garante Carlos Xavier, que considera
Domingos vítima deste processo, já que "os jogadores não fazem o essencial, que é marcar golos". Fica assim dado o tom da avaliação destes primeiros meses de um leão alvo de revolução no Verão passado.
Rui Oliveira e Costa e Menezes Rodrigues também pedem tempo para avaliar o verdadeiro impacto de Domingos no comando técnico, até porque, como sustenta o primeiro,
os leões não são o único histórico limitado à "luta pelo terceiro lugar", mencionando Chelsea e Inter como exemplos fora de portas. Inácio, que esteve muito perto de liderar o futebol há pouco mais de seis meses, também prefere aguardar pelo futuro:
"Tem de se dar mais tempo a Domingos."@ ojogo