terça-feira, 24 de julho de 2012

Brasil nos Jogos Olimpicos de Londres

Crónica: O Brasil olímpico não vale muito (vídeo)


Os Jogos Olímpicos estão quase a começar e os brasileiros consideram-se os grandes candidatos a ganhar a medalha de ouro no futebol masculino. Diriam o mesmo se fosse Mundial, Copa América ou Taça das Confederações. O próprio seleccionador Mano Menezes alinha neste discurso, embora peça prudência: «Somos favoritos, mas também se dizia o mesmo da Holanda antes do Euro 2012.»

Este é o ponto em que qualquer adepto do futebol poderá discordar… a não ser que seja brasileiro, claro. O conjunto de Mano Menezes não é mais favorito do que Espanha, Grã-Bretanha ou Uruguai.

A Espanha é a principal candidata a levar o ouro para casa. Domina o futebol mundial nos vários escalões e viaja para Londres com vários jogadores de primeira linha, onde figuram alguns dos campeões europeus. Um conjunto demolidor em todos os sectores. De Gea, Jordi Alba, Javi Martinez e Juan Mata. Nomes grandes do futebol mundial apesar de ainda serem jovens.

A Grã-Bretanha acolhe a prova e apresenta-se com algumas das grandes figuras da Premier League. Adam Johnson (City), Aaron Ramsey (Arsenal) e Sturridge (Chelsea) são os mais notáveis abaixo dos 23 anos. O grupo dos três jogadores permitidos acima desta idade é composto por Micah Richards (o poderoso lateral-direito do City), Craig Bellamy (irreverente avançado do Liverpool) e o pelo galês mais famoso do mundo. Ryan Giggs, aos 38 anos, vai tentar juntar uma medalha de ouro ao seu interminável palmarés.

O Uruguai, liderado por Oscar Tabarez, tem sido a melhor selecção sénior da América do Sul desde o Mundial 2010. Conta com Luis Suarez e Edinson Cavani, uma das duplas de avançados mais caliente da actualidade.

E chegamos ao Brasil… Ao novo, rico e próspero Brasil. E nunca a riqueza foi culpada por tanto atraso como começa agora a acontecer no futebol brasileiro. Os novos craques já não precisam de abandonar o país em busca de melhores salários, mas ficam presos a uma liga pouco competitiva que não oferece condições para grande evolução, ao contrário do que acontece com as principais ligas europeias.

Entre este novo conjunto de superestrelas, o caso mais evidente é o de Neymar. No Brasil dizem que já é uma confirmação. O próprio Scolari chegou a compará-lo com Messi e Cristiano Ronaldo numa declaração, no mínimo, infeliz. Neymar tem muito talento, é uma grande promessa, mas, neste momento, não está, sequer, entre os 20 melhores jogadores do mundo. Nem tão-pouco é o melhor brasileiro. O seu nível de competitividade ainda não se equipara aos compatriotas que fazem carreira na Europa, como Dani Alves, Thiago Silva, Kaká ou os mais novos Ramires e David Luiz.

Todas as épocas há rumores de que Neymar pode ser reforço de Barça ou Real. À medida que o tempo vai passando, porém, ele próprio parece ter cada vez menos vontade de abandonar o seu país. Já é milionário, tem estatuto de intocável e privilégios especiais. Um menino mimado que não teria tais regalias se viesse para a Europa. Além disso, tornou-se uma marca dentro do campeonato brasileiro, tanto para o Santos como para os vários patrocinadores. Um fenómeno que tem o nome de Neymarketing. Mas o marketing não ganha jogos e deu para notar as debilidades de Neymar quando o seu Santos foi goleado pelo Barça na última edição do Mundial de Clubes.

Ganso, seu colega de equipa até há pouco tempo, aparece na mesma linha. É um dos médios mais promissores do futebol mundial. E, para já, apenas isso. A selecção olímpica do Brasil está recheada de grandes promessas, jogadores muito cobiçados, poucas confirmações e gente sem grande experiência ao mais alto nível. Thiago Silva, Hulk e Pato são as excepções.

Este Brasil não é o principal favorito a ganhar os Jogos como também não será no Mundial que vai organizar. O marketing e os privilégios de anfitrião não chegam para vencer dentro de campo. Ver o Brasil ganhar a medalha de ouro não será um choque tão grande como a Dinamarca, no Euro´92, ou a Grécia, em 2004, mas não vai andar muito longe. Sobretudo pelo poderio da actual Espanha. Esse volta a ser o grande atractivo desta competição: saber se alguma equipa no mundo é capaz de destronar a La Roja. Uma dúvida para dissipar nos próximos dias, ao som de Survival, dos Muse, o tema oficial destes Jogos.

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